Entre a Dor e a Saudade
Como se não bastasse, o gosto por dormir — para escapar da consciência — foi lentamente tomando conta de mim. Por mais que eu tente fugir, esse sentimento encontra sempre uma nova forma de me alcançar. Por um tempo, fui doce e afável, tentando esconder o óbvio. E, nesse esforço inútil, tornou-se inevitável: segurei cada lágrima até que o peso transbordasse. Desejei, em segredo, que os teus dedos tocassem o meu rosto com delicadeza, e que, apenas pelo som da tua respiração, eu encontrasse o consolo. Sofri em silêncio, a única alma que eu confiava, foi também a que me deixou a ruir, abandonada ao relento, sem porto, sem cor, em lágrimas e com dor Talvez o labirinto dentro de mim tenha sido um convite maldito: um mapa que te encantou no início, mas te fez perder a sede de chegar ao fim, desististe antes de me compreender… a mão de uma estranha você segurou e sem pensar duas vezes você se foi. Mas ainda me pergunto: será que um dia voltarás? Voltarás para desafiar o enigma...